
Trinta anos depois de sua morte, o diplomata cassado Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes vai virar embaixador. A Câmara aprovou nesta terça-feira a promoção do ex-servidor a ministro de primeira classe do Itamaraty, cargo mais alto da carreira diplomática. O ato reabilita a trajetória profissional do poeta Vinicius de Moraes, que foi perseguido pela ditadura militar e expulso do Ministério das Relações Exteriores em abril de 1969, com base no Ato Institucional n 5 (AI-5).
- A expulsão de Vinicius foi mais um ato de violência e arbítrio da ditadura. Ele foi embaixador não só do Itamaraty, mas da cultura brasileira – disse a cineasta Suzana de Moraes, filha primogênita do poeta.
O poeta foi a vítima mais conhecida da Comissão de Investigação Sumária, que usou o AI-5 para investigar vidas privadas e expulsar diplomatas que o regime tachava de homossexuais, alcoólatras ou emocionalmente instáveis. Vinicius foi punido por sua vida boêmia, que desagradava à linha-dura da caserna. Apesar disso, os registros do Ministério das Relações Exteriores revelam que ele era considerado um diplomata exemplar e recebeu uma série de elogios por tarefas em nome do Brasil no exterior. O poeta morreu em julho de 1980, aos 66 anos.
Poeta
Meu poeta camarada
Poeta da pesada
Do pagode e do perdão
Perdoa essa canção improvisada
Em tua inspiração
De todo o coração
Da moça e do violão
Do fundo
Poeta
Poetinha vagabundo
Quem dera todo mundo
Fosse assim feito você
Que a vida não gosta de esperar
A vida é pra valer
A vida é pra levar
Vininha, velho, saravá




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